Rodrigo Pinheiro / Marco Franco, 9 de Dezembro de 2013

Rodrigo Pinheiro / Marco Franco

Carros voadores

texto Bernardo Álvares fotografia Nuno Martins

A reinaugurada Trem Azul recebeu dois nomes maiores da música emPortugal, pela primeira vez em duo. O que se ouviu foi intenso sem precisar de enormes decibéis e, com a ajuda de um Fender Rhodes e de um MiniMoog, recordou-nos as visões do futuro que tivemos no passado.

O formato do duo no jazz e na música improvisada é particularmente fascinante. Um músico a tocar em duo necessita de estar sempre “ligado”, sem a contrapartida de ter o controlo total do que está a acontecer, como numa situação a solo. Não havendo papéis definidos, a responsabilidade pelo som que está a ser criado não é dividida e sim multiplicada pelos dois intervenientes. Ora, essa dose de concentração extra só pode dar bons resultados quando se juntam músicos da dimensão de Rodrigo Pinheiro e Marco Franco.

Não exagero se afirmar que Rodrigo Pinheiro tem sido um dos músicos mais criativos em actividade no nosso país, sendo de destacar o seu papel no Red Trio. Marco Franco, líder do projecto Mikado Lab e membro dos Tim Tim Por Tim Tum, é, por sua vez, um dos bateristas mais requisitados do cenário jazzístico e experimental.

Os dois músicos expuseram-se, no passado dia 7 de Dezembro, num concerto intimista na loja de discos-sala de concertos-bar Trem Azul, numa comunhão bem-disposta de respeito mútuo. Aproximaram-se de diversas estéticas, mantendo sempre um som coerente num registo com a intensidade (mas sem os decibéis) do noise.

Rodrigo Pinheiro

Marco Franco

Processando electronicamente o som da bateria, Marco Franco projectou um baixo que dirigiu toda a primeira parte do concerto, ligando a bateria ao piano eléctrico Fender Rhodes. Sempre atentos e imaginativos, Pinheiro e Franco procuraram desconstruir construtivamente o som um do outro, quais amigos que, sabendo antecipadamente que partilham da mesma opinião, extremam os argumentos para esmiuçar todos os lados interessantes da questão.

Tão contentes com o resultado do duo como o público presente, os músicos voltaram a palco depois de um pequeno intervalo para uma nova carga de energia. Com uma menor predominância da electrónica de Franco, a música fluiu ainda mais livremente. No sintetizador analógico MiniMoog, Pinheiro transportou-nos para as previsões de futuro do passado em que todos vestíamos fatos metalizados e andávamos em carros voadores, acrescentando uma sensibilidade contemporânea ao classicismo deste instrumento.

Esperemos que o duo se mantenha vivo e de boa saúde.

Agenda

02 Fevereiro

João Lencastre, Pedro Branco e João Hasselberg

Miradouro de Baixo - Carpintarias de São Lázaro - Lisboa

02 Fevereiro

Mockūnas-Mikalkenas-Berre

Água Ardente - Lisboa

02 Fevereiro

Ensemble Porta-Jazz / Robalo

Porta-Jazz - Porto

02 Fevereiro

José Menezes Quarteto

Cine Incrível - Alma Danada - Almada

02 Fevereiro

Manuel Oliveira, Rodrigo Correia, Alexandre Frazão e Tomás Marques

Fábrica Braço de Prata - Lisboa

03 Fevereiro

Pedro Neves Trio “Hindrances” / Wabjie

Festival Porta-Jazz - Rivoli - Porto

03 Fevereiro

Percussion

Água Ardente - Lisboa

03 Fevereiro

Gianni Narduzzi “Dharma Bums” / Carlos Azevedo Quarteto “Serpente”

Festival Porta-Jazz - Rivoli - Porto

03 Fevereiro

Júlio Resende

Fábrica Braço de Prata - Lisboa

03 Fevereiro

Luís Figueiredo “À Deriva”

Centro de Cultura e Congressos da SRNOM - Porto

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