Abdelnour / Stackenas / Thorman / Strid Quartet, 14 de Abril de 2014

Abdelnour / Stackenas / Thorman / Strid Quartet

Tensão permanente

texto e fotografia Tiago Jerónimo

Antes de se apresentar em Lisboa, o quarteto nórdico-libanês passou por Coimbra, onde tocou no incontornável Salão Brazil. Fizeram falta mais momentos de explosão colectiva…

Parou na passada quarta-feira, 9 de Abril, no Salão Brazil. em Coimbra, o quarteto dinamizado pelos sueco David Stackenäs, Patric Thorman e Raymond Strid com a libanesa Christine Abdelnour. Quatro músicos que representam o cruzamento entre dois palcos geográficos que, apesar das diferenças culturais, musicalmente encontram abordagens comuns em torno da livre improvisação e da expressividade mais nua e crua – o efervescente e histórico panorama sueco e a jovem e naturalmente ainda microprodução libanesa.

No primeiro de dois concertos em Portugal (o outro em Lisboa, na Culturgest), apoiando-se em ferramentas mais habituais como bateria, contrabaixo, saxofone alto, e guitarra acústica preparada, o quarteto muniu-se também de variados objectos mais ou menos mundanos, como blocos de madeira, correntes e pequenos dispositivos eléctricos. Formalmente, tal coloca-os no eixo musical que passa pelas correntes apostadas no radical questionamento dos processos e padrões mais oficiais, como o jazz vanguardista nascido nos anos 1960, a improvisação livre e os primórdios da expressividade sonora pré-instrumentos convencionais.

O uso deste grupo de ferramentas foi, aliás, decisivo para reforçar a imprevisibilidade, elemento fundamental num concerto em que ficou patente uma sinceridade elementar expressa de forma nua e crua.

Destes músicos emanou uma grande diversidade formal e sensorial, arranjada em estruturas livres. Sem hierarquias ou papéis definidos, os quatro contribuíram para uma malha sonora essencialmente caracterizada pela oscilação entre os mais frequentes e extensos momentos de corrupio instrumental e sensorial, e os mais raros períodos de “drones” pacificantes. Tensão permanente.

Mas quanto mais radical a abordagem, maior o risco a ela acoplado.Fizeram falta mais momentos de explosão colectiva, tão necessários quanto determinantes no afastar da ideia da contribuição individual excessivamente formalista, que pode dessa forma tornar-se redutora.