Peter Evans + Simon James Phillips, 7 de Maio de 2014

Peter Evans + Simon James Phillips

Freak show

texto Bernardo Álvares fotografia Vera Marmelo

Num evento organizado pelo Teatro Maria Matos que marcou o início de uma programação fora de portas intitulada Monumental, assistimos no Panteão Nacional, em Lisboa, a dois grandes solos de Peter Evans e Simon James Phillips, e a um duo final.

O local escolhido para estes concertos não podia ser mais ideal, o Panteão Nacional. Peter Evans veio mostrar mais uma vez aos lisboetas o porquê de ser talvez o músico mais consensualmente adorado da sua geração. O concerto, pautado pela utilização absolutamente impressionante da reverberação natural do Panteão, foi uma experiência de cortar as palavras.

Evans foi oscilando de forma muito inteligente o uso exclusivo das propriedades acústicas especiais da sala e auxiliar-se de um microfone, não tanto para se amplificar, mas para jogar mais ainda com as propriedades dos sons ali organizados. Num (não demasiado) longo concerto sem pausas, com trompete e trompete piccolo, mostrou habilidades técnicas que possivelmente atrairiam mais público nas feiras itinerantes de “freaks” do início do séc. XX do que a mulher barbuda ou o homem gigante.

O certo é que aquilo que ecoou pelo Panteão no passado domingo transpirou musicalidade por todos os lados. Por muito que pudesse remeter para a existência de maquinaria (o “drone” de Evans poderia enganar o cérebro, fazendo este pensar que as rotas aéreas tinham mudado em Lisboa e que haveria uma fila de aviões a sobrevoar Santa Engrácia), a música deste trompetista é, sobretudo, humana.

Peter Evans

Simon James Phillips

Temos ainda presente o seu recente álbum a solo “Beyond Civilized and Primitive”, cujo nome remete para o ensaio crítico de Ran Prieur que questiona a nossa forma de ver a evolução da sociedade. E o título não podia ser mais bem escolhido para associar aos seus solos: uma experiência incrivelmente intensa e que coloca tudo em questão.

Coube a Simon James Phillips manter a atenção de um público extasiado com a prestação do primeiro concerto. Phillips cumpriu essa tarefa com distinção, com uma abordagem ao piano pouco convencional.

Tirando uma passagem menos bem conseguida, com o “reverb” do Panteão e do pedal do piano a transformarem um trecho mais melódico numa cena demasiado dramática de um filme meloso de Hollywood, o concerto foi marcado por uma cama sonora que preencheu aquele espaço de notas e harmónicos a vibrar com as camadas sonoras ondulantes. Embora improvisado, pudemos sentir uma identidade musical bem marcada entre o concerto e o disco de estreia a solo de Simon James Phillips, “Chair”.

Para o fim, os músicos reservaram uma colaboração em duo, com Peter Evans a poder explorar um fraseado mais jazzístico sobre a camada de bordões do pianista.

Agenda

02 Fevereiro

João Lencastre, Pedro Branco e João Hasselberg

Miradouro de Baixo - Carpintarias de São Lázaro - Lisboa

02 Fevereiro

Mockūnas-Mikalkenas-Berre

Água Ardente - Lisboa

02 Fevereiro

Ensemble Porta-Jazz / Robalo

Porta-Jazz - Porto

02 Fevereiro

José Menezes Quarteto

Cine Incrível - Alma Danada - Almada

02 Fevereiro

Manuel Oliveira, Rodrigo Correia, Alexandre Frazão e Tomás Marques

Fábrica Braço de Prata - Lisboa

03 Fevereiro

Pedro Neves Trio “Hindrances” / Wabjie

Festival Porta-Jazz - Rivoli - Porto

03 Fevereiro

Percussion

Água Ardente - Lisboa

03 Fevereiro

Gianni Narduzzi “Dharma Bums” / Carlos Azevedo Quarteto “Serpente”

Festival Porta-Jazz - Rivoli - Porto

03 Fevereiro

Júlio Resende

Fábrica Braço de Prata - Lisboa

03 Fevereiro

Luís Figueiredo “À Deriva”

Centro de Cultura e Congressos da SRNOM - Porto

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