Sidsel Endresen / Stian Westerhus, 12 de Maio de 2014

Sidsel Endresen / Stian Westerhus

A meio gás

texto Nuno Catarino

A passagem do duo norueguês pela Culturgest esteve longe de ter o mesmo impacto que a actuação a solo de Endresen em 2011 no mesmo espaço. O auditório estava bem menos cheio e não houve “encores” nem grandes rasgos.

Em Abril de 2011, o ciclo “Isto é Jazz?” levou à Culturgest a norueguesa Sidsel Endresen para uma actuação a solo. Passados três anos a cantora regressou, desta vez acompanhada pelo guitarrista, também norueguês, Stian Westerhus. Ao contrário dessa primeira actuação, a plateia não se encontrava esgotada no passado dia 10 de Maio – tinha até muitos lugares vazios. Sinal dos tempos…

Combinando na sua performance elementos de jazz e improvisação com o folclore nórdico, Endresen teve como parceiro o criativo guitarrista Westerhus – que não tem qualquer ligação com a série televisiva “Game of Thrones”, mas já colaborou com os excelentes Jaga Jazzist.

Trabalhada com um largo espectro de efeitos electrónicos, a guitarra de Stian Westerhus era capaz de gerar sons estranhíssimos, cuja proveniência não se imaginaria. A partir do canto tradicional, a voz de Endresen era também capaz de explorar outros sons, adaptando-se à evolução dos ambientes sonoros, acompanhando a evolução da música.

Stian Westerhus

O duo trazia na bagagem o disco “Didymoi Dreams”, editado pela Rune Grammofon em 2012 (que por sua vez é o registo de uma actuação ao vivo, no norueguês Natt Jazz Festival 2001). Ao longo de cada um dos temas, todos de longa duração, a dupla explorou a ligação voz-guitarra: Westerhus e Endresen trabalharam de modo a entrelaçar a sonoridade trabalhada da guitarra com a voz, que se ia adaptando a cada ambiente. Se na sua anterior actuação na Culturgest a cantora explorou as capacidades da sua voz até ao limite, desta vez esteve mais comedida. Colocou a voz ao serviço da música.

Apesar de o conceito musical ter funcionado na base, faltou a faísca, o rasgo, pecando a actuação por um excesso de tranquilidade. Na sua primeira passagem pela Culturgest, Sidsel Endresen só abandonou o palco após dois “encores”, muito solicitados. Agora não houve “encores” para ninguém, o que terá sido representativo.