Hugo Carvalhais Trio, 8 de Julho de 2014

Hugo Carvalhais Trio

Foi bom, muito bom

texto Nuno Catarino

Depois de um bem recebido concerto em Vigo, no Imaxina Sons, em trio com Liudas Mockunas, o contrabaixista e compositor do Porto apresentou-se na Culturgest, em Lisboa, com a mesma formação, mas outro saxofonista, o seu habitual convidado Émile Parisien. Foi mais um sucesso…

A Culturgest é um espaço onde o jazz é sempre bem-vindo, acolhendo grandes nomes da cena internacional de forma regular e recebendo apresentações ao vivo de artistas portugueses. Em paralelo com os concertos no grande auditório, ali decorre também o ciclo Isto é Jazz?, comissariado por Pedro Costa (Clean Feed/Trem Azul), que desafia as fronteiras do género.

Já neste ano de 2014 a Culturgest apresentou o novo ciclo Jazz +351, dedicado ao jazz português. Também comissariada por Costa, esta iniciativa já promoveu actuações do duo Sofia Ribeiro & Jeffery Davis e do trio Lencastre/Prochazka/Cabaud. No passado domingo, 6 de Julho, foi a vez de se apresentar o trio do contrabaixista portuense Hugo Carvalhais. Este mostrou-se ao mundo com o bem recebido disco de estreia “Nebulosa” (2010), seguindo-se o também aplaudido “Partícula” (2012).

Para esta actuação em Lisboa, Carvalhais teve a companhia do usual parceiro Mário Costa na bateria e do saxofonista Émile Parisien. De fora ficou o habitual pianista Gabriel Pinto, levando o grupo a explorar os temas de uma forma diferente. O alinhamento do concerto passou pela combinação de temas antigos com muitos temas novos: “Capsule” (de “Partícula”), uma nova peça ainda sem título, “Cobalto” (do primeiro disco, “Nebulosa”), uma composição de Pinto (o pianista ausente), “Palmer Eldrich” (novo tema, não gravado). O programa fechou com “Rotor” e, no “encore”, o trio abordou Ornette Coleman. 

Rigor impuro

Émile Parisien 

A música de Carvalhais flui com naturalidade, assente na estabilidade do seu contrabaixo e da minuciosa bateria de Costa. Associado ao som cuidado e límpido da dupla Carvalhais/Costa, senhores de impecável rigor e equilíbrio, o sopro “impuro” de Parisien contrastou. Mas o francês, conseguindo integrar-se no universo sonoro do grupo, sabe também acrescentar uma nova dimensão à música com o seu fraseado ziguezagueante.

Há que registar desde logo a qualidade das composições e a originalidade no desenvolvimento dos temas, que nunca é óbvio ou previsível. Não foi preciso muito para se perceber o perfeito entendimento entre contrabaixo e bateria, que mais uma vez revelaram uma união quase perfeita. Individualmente, há que destacar os momentos a solo de Carvalhais, que além de um som incrivelmente preciso e belo, consegue desenhar um melodismo pouco comum.

Sem grande estrondo, com a subtileza dos grandes, Hugo Carvalhais vai inscrevendo o seu nome no panteão do jazz português.