Bande à Part, 31 de Março de 2015

Bande à Part

Balanço à parte

texto Nuno Catarino

O trio de Joana Guerra, Ricardo Ribeiro e Carlos Godinho foi ao Carpe Diem mostrar a sua música com diferentes ambientes e cores. A tradição camerística enovelou-se com o desejo da descoberta…

O ciclo de concertos 60/3 tem levado muita e boa música improvisada ao histórico Palácio Pombal, na Rua do Século, em Lisboa. Pela cafetaria do Carpe Diem Arte e Pesquisa, espaço que habitualmente acolhe ciclos expositivos de arte contemporânea, já passaram nomes grandes da cena improvisada e jazz nacional, como Carlos “Zíngaro”, Luís Lopes, Hugo Antunes, Helena Espvall, Albert Cirera, Sei Miguel, Ernesto Rodrigues e David Maranha, entre outros.

Desta vez (27 de Março), actuou o trio Bande à Part, grupo que reúne Joana Guerra (violoncelo, na foto), Ricardo Ribeiro (clarinetes baixo e soprano) e Carlos Godinho (percussão, objectos). Com um disco ainda recente, “Caixa-Prego”, uma edição Creative Sources, o trio apresentou ao vivo a sua mescla instrumental pouco comum.

O som do trio não se fixa numa referência única, procura diferentes ambientes e cores. Se, por vezes, a sua música pode evocar os salões nobres da realeza do século XVIII, pouco depois leva-nos até às populações índias da Amazónia. Trabalhada num diálogo permanente entre o violoncelo de Guerra (alternando entre arco e pizzicato), os clarinetes de Ribeiro e as percussões (e objectos) de Godinho, a música do trio balança entre uma natureza de câmara e o desejo da descoberta.

Entre a tradição instrumental e a vontade de quebra, a música dos Bande à Part atravessa fronteiras, do classicismo ao tribalismo. O fluxo improvisador funciona de forma contínua, evolui tranquilamente, sem grandes choques, mas seguindo um sentido comum. Após um primeiro tema, que teve a duração de cerca de meia hora, o trio explorou uma improvisação mais concisa (cerca de dez minutos) e mais focada – sobretudo pela acção condutora do clarinete de Ribeiro.

Agenda

02 Fevereiro

João Lencastre, Pedro Branco e João Hasselberg

Miradouro de Baixo - Carpintarias de São Lázaro - Lisboa

02 Fevereiro

Mockūnas-Mikalkenas-Berre

Água Ardente - Lisboa

02 Fevereiro

Ensemble Porta-Jazz / Robalo

Porta-Jazz - Porto

02 Fevereiro

José Menezes Quarteto

Cine Incrível - Alma Danada - Almada

02 Fevereiro

Manuel Oliveira, Rodrigo Correia, Alexandre Frazão e Tomás Marques

Fábrica Braço de Prata - Lisboa

03 Fevereiro

Pedro Neves Trio “Hindrances” / Wabjie

Festival Porta-Jazz - Rivoli - Porto

03 Fevereiro

Percussion

Água Ardente - Lisboa

03 Fevereiro

Gianni Narduzzi “Dharma Bums” / Carlos Azevedo Quarteto “Serpente”

Festival Porta-Jazz - Rivoli - Porto

03 Fevereiro

Júlio Resende

Fábrica Braço de Prata - Lisboa

03 Fevereiro

Luís Figueiredo “À Deriva”

Centro de Cultura e Congressos da SRNOM - Porto

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