Bill Orcutt + The Orm, 28 de Outubro de 2015

Bill Orcutt + The Orm

Domingo a escurecer

texto Bernardo Álvares fotografia Mestre André

Em ambos os casos a improvisação é um processo e o jazz uma influência. Num a roupagem remete-nos para a folk, no outro para o noise. Um músico americano e dois portugueses tocaram na ZDB num final domingueiro de tarde em que chovia e havia Benfica-Sporting…

Estava uma tarde invernosa. Parte do público tardou a chegar para acabar de ver o Benfica-Sporting. Assim que Bill Orcutt tocou os primeiros acordes, começou a chover no pátio da Galeria ZDB. O guitarrista ex-Harry Pussy arrancou ataques de cada nota, cada uma tão importante como a anterior. Influenciado por ideias de desarrumação metódica eventualmente ligadas ao free jazz (o trio Monkey Plot apresenta-o mesmo como uma referência), o músico de San Francisco dedica-se a uma folk que é tão cuidada como bruta. Talvez possamos encontrar raízes desta música nas obras harmonicamente desafiantes de compositores como Alexander Scriabin ou mesmo alguns compositores barrocos mais ritmicamente aventureiros.

A música saía em ligação direta dele para o público, passando obviamente pelo veículo que é a guitarra, mas a demonstrar o enorme sentido de presença e oportunidade dos maiores músicos. Partilhou connosco as suas versões íntimas de temas como “White Christmas”, “Star-Spangled Banner” ou “Over the Rainbow”.

Bill Orcutt

The Orm

Antes, foi a fez de The Orm tomar conta do aquário. O duo é composto por dois guitarristas. Filipe Felizardo é dono de um trabalho a solo imediatamente reconhecível. Para além deste duo, tem colaborado recentemente com David Maranha. Tiago Silva, parte dos extintos Brainwashed By Amalia, também tem tocado sobretudo a solo, numa linguagem de noise livre. Foi também nesse registo que The Orm surpreenderam os presentes, num concerto curto mas nem por isso menos intenso.