Herbie Hancock, 27 de Julho de 2017

Herbie Hancock

Jazz de Verão, com muito funk

texto Gonçalo Falcão

A lendária figura do jazz veio a Portugal no passado dia 22 de Julho, para um concerto longe dos principais centros desta música: Amarante. Foram 5000 as pessoas que assistiram ao seu funk sem grandes concessões. Sim, 5000, talvez mais.

Eram 5000 pessoas. Talvez mais, para ver Herbie Hancock. O festival MIMO, em Amarante, programava às 11 da noite um concerto improvável e corajoso. O cenário era superior – Amarante é uma das cidades mais bonitas da Europa – e o festival estava cheio, com o terreiro ribeirinho com cabeças a perder de vista. Vários concertos em vários espaços da cidade fazem o programa do MIMO, mas Hancock estava programado para o palco principal em horário nobre. É a prova de que o jazz pode encher festivais de Verão sem ter de ser em versões “cool” ou falsificações de género.

O músico percebeu bem o contexto em que estava e preparou uma banda “funky”. O álbum “Headhunters” foi naturalmente privilegiado, guardando para o “encore” o tema “Chameleon” e fechando o concerto com uma versão muito funk de “Cantaloop Island”. E se o cabeça-de-cartaz estava no piano e nos sintetizadores, com ele encontrava-se o não menos importante “kinda young, kinda WOW!” Vinnie Colaiuta, o baterista que esteve na banda de Frank Zappa de 1978 a 1988 e que tocou fabulosamente. O grupo que veio a Amarante tinha ainda na guitarra Lionel Loueke, que não deixou marcas relevantes na noite, e o baixista James Genus, uma máquina “funky”. No saxofone e demais teclados tocou Terrace Martin que, apesar de ser mais conhecido como produtor de  Kendrick Lamar e Snoop Dogg, é um músico excelente e com muito bom gosto.

Foto de Mário Borges

Foto de Mário Borges

O jazz de Hancock revelou-se principalmente nos solos, sem grandes concessões e facilitismos, de alguma maneira interrompendo o “flow” do funk que estava instalado. O público aceitou bem as dissonâncias e polirritmias pouco habituais em festivais de Verão e dançou animado, mesmo quando o piano parecia estar possesso.

Foi uma grande noite, provando que os concertos de Verão podem ter jazz, que o público em grande número fica e dança e que há soluções bem mais criativas e interessantes do que aquelas que são propostas pelos festivais das cervejeiras, das telecoms e das electricidades. O pianista não cedeu em demasia, mantendo a música num nível interessante e suficientemente fácil para não espantar os milhares de festivaleiros. Grande ambiente em Amarante, cidade deslumbrante.

Agenda

28 Janeiro

Duarte Ventura e João Gato

Casa Cheia - Lisboa

28 Janeiro

Samuel Lercher Trio

Porta-Jazz - Porto

28 Janeiro

Eunice Barbosa Quarteto

Com Calma - Espaço Cultural - Lisboa

29 Janeiro

João Pais Filipe & Franck Desire

Espaço Lovers & Lollypops - Porto

29 Janeiro

The Acrylic Rib

Ermo do Caos - Porto

02 Fevereiro

Ensemble Porta-Jazz / Robalo

Porta-Jazz - Porto

03 Fevereiro

Pedro Neves Trio “Hindrances” / Wabjie

Festival Porta-Jazz - Rivoli - Porto

03 Fevereiro

Gianni Narduzzi “Dharma Bums” / Carlos Azevedo Quarteto “Serpente”

Festival Porta-Jazz - Rivoli - Porto

04 Fevereiro

Coletivo Osso/Porta-Jazz “Interferências” / Umbral

Festival Porta-Jazz - Rivoli - Porto

04 Fevereiro

Mockūnas-Mikalkenas-Berre / Eurico Costa Trio “Copal”

Festival Porta-Jazz - Rivoli - Porto

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