Hugo Carvalhais, 30 de Março de 2022

Hugo Carvalhais

Profundezas insondáveis

texto: João Ricardo

Com um novo disco "Ascetica" acabado de editar pela Clean Feed, o contrabaixista e compositor Hugo Carvalhais apresentou ao vivo a sua música original, ao leme de um quinteto atípico. O espectáculo teve lugar num local inesperado, o reservatório do Museu da Cidade do Porto.

Hugo Carvalhais apresentou, no passado dia 25 de março, uma derivação do seu último trabalho "Ascetica", no Museu da Cidade do Porto.

A formação, composta por Fábio Almeida (saxofone tenor), Gabriel Pinto (órgão Hammond e sintetizador), Fernando Rodrigues (teclado), João Martins (bateria) e pelo próprio Hugo Carvalhais (contrabaixo), dispôs-se em constelação no espaço do antigo reservatório de água com o público a ocupar lugares em torno dos músicos.

Fruto de uma residência prévia, o concerto transportou-nos através das "profundezas insondáveis" das nossas mentes, ao aflorar "o mistério, a beleza, o medo, o deslumbramento, a luz e as trevas", para usar as palavras do contrabaixista.

A viagem começou com algumas texturas provindas das teclas/sintetizadores numa mescla de sons "sci-fi" e abstracções sonoras. À medida que progredímos, sentímos a envoltura de uma almofada de acordes, a gravidade das baixas frequências provindas do contrabaixo e do bombo, o titubear dos restantes elementos percussivos e o doce fraseado melódico do saxofone.

Houve momentos plenos de serenidade galáctica com passagens mais acidentadas, mas nunca nos sentimos perdidos ou abandonados. O conforto advindo de cadências familiares (mas nunca óbvias) e do "groove" imprimido aos ritmos, foi entrecortado por síncopes e ascendências / descendências de dinâmica (i.e. volume).

Após cada apoteose segui-se uma passagem branda, suave. Houve espaço para cada um dos músicos executar um solo e invadir os nossos espíritos através do som, apenas. Para isso contribuiu o facto de nem sempre podermos ver a execução, a não ser que o músico estivesse cercano.

Um louvor para a boa distribuição / propagação do som em tão invulgar circunstância. Foi, sem dúvida, um belo espectáculo num maravilhoso enquadramento e com um público devoto que se mobilizou em força para esta comunhão cultural.

Agenda

02 Fevereiro

João Lencastre, Pedro Branco e João Hasselberg

Miradouro de Baixo - Carpintarias de São Lázaro - Lisboa

02 Fevereiro

Mockūnas-Mikalkenas-Berre

Água Ardente - Lisboa

02 Fevereiro

Ensemble Porta-Jazz / Robalo

Porta-Jazz - Porto

02 Fevereiro

José Menezes Quarteto

Cine Incrível - Alma Danada - Almada

02 Fevereiro

Manuel Oliveira, Rodrigo Correia, Alexandre Frazão e Tomás Marques

Fábrica Braço de Prata - Lisboa

03 Fevereiro

Pedro Neves Trio “Hindrances” / Wabjie

Festival Porta-Jazz - Rivoli - Porto

03 Fevereiro

Percussion

Água Ardente - Lisboa

03 Fevereiro

Gianni Narduzzi “Dharma Bums” / Carlos Azevedo Quarteto “Serpente”

Festival Porta-Jazz - Rivoli - Porto

03 Fevereiro

Júlio Resende

Fábrica Braço de Prata - Lisboa

03 Fevereiro

Luís Figueiredo “À Deriva”

Centro de Cultura e Congressos da SRNOM - Porto

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